domingo, 4 de agosto de 2013

Aula de Ciências

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Aula Ciências. Interdisciplinaridade Química, cultura, Educação ambiental, reaproveitamento e sustentabilidade.

 

Autor e Coautor(es)

CORNELIO PROCOPIO - PR CEEBJA CORNELIO PROCOPIO ENS FUN E MED

Estrutura Curricular

Modalidade / Nível de Ensino
Componente Curricular
Tema
Educação de Jovens e Adultos - 2º ciclo
Ciências Naturais
Dietas e consumo de alimentos
Ensino Médio
Química
Propriedades das substâncias e dos materiais
Ensino Médio
Química
Transformações: caracterização, aspectos energéticos, aspectos dinâmicos

Dados da Aula

O que o aluno poderá aprender com esta aula

Aprendera:
Distinguir nos rótulos a unidade de medida calórica, Kcal e perceber sua importância e relação com a vida diária.
Construir o significado histórico das culturas afro e indígena na formação de nossa cultura brasileira (Lei nº. 10.639/03 Afro-Brasileira/ Lei nº. 11.645/08 Indígena).
Identificar a problemática envolvida no destino correto dos resíduos de frituras. (Lei nº. 9795/99 Educação Ambiental). Constatar a importância dos conhecimentos químicos e verificar sua presença e aplicabilidade em assuntos do cotidiano, como na alimentação saudável.
Analisar  corretamente uma tabela calórica e identificar os alimentos mais adequados para uma alimentação mais saudável.
Duração das atividades
4 aulas de 50 minutos cada
Conhecimentos prévios trabalhados pelo professor com o aluno
Soluções - Densidade  -
Termoquímica (Medida calórica - Kcal)
Estratégias e recursos da aula
Sugestão:
Fornecer uma cópia da aula com Roteiro/Conteúdo/Atividades, para os alunos.
O material pode ser utilizado como instrumento de verificação da aprendizagem.

1° Aula:

Motivação

Iniciar a atividade problematizando com os alunos se eles possuem um hábito alimentar adequado.
Alimentação balanceada, na mesma hora todo dia, alimentação com um cardápio diversificado ou se eles consideram sua alimentação inadequada.
Diante das variadas opiniões, questione também se algum aluno tem por costume verificar a tabela calórica dos alimentos.
Cite alguns alimentos com excesso de calorias, citando como exemplo a Feijoada Brasileira, sendo o momento para questionar  o gosto de cada um pela Feijoada.
Também pode ser conveniente perguntar se algum aluno já preparou uma feijoada e de que forma?

 Poesia: “Feijoada à minha moda”.  Vinícius de Moraes 

Feijoada à Minha Moda



Amiga Helena Sangirardi
Conforme um dia prometi
Onde, confesso que esqueci
E embora — perdoe — tão tarde

(Melhor do que nunca!) este poeta
Segundo manda a boa ética
Envia-lhe a receita (poética)
De sua feijoada completa.

Em atenção ao adiantado
Da hora em que abrimos o olho
O feijão deve, já catado
Nos esperar, feliz, de molho

E a cozinheira, por respeito
À nossa mestria na arte
Já deve ter tacado peito
E preparado e posto à parte

Os elementos componentes
De um saboroso refogado
Tais: cebolas, tomates, dentes
De alho — e o que mais for azado

Tudo picado desde cedo
De feição a sempre evitar
Qualquer contato mais... vulgar
Às nossas nobres mãos de aedo.

Enquanto nós, a dar uns toques
No que não nos seja a contento
Vigiaremos o cozimento
Tomando o nosso uísque on the rocks

Uma vez cozido o feijão
(Umas quatro horas, fogo médio)
Nós, bocejando o nosso tédio
Nos chegaremos ao fogão

E em elegante curvatura:
Um pé adiante e o braço às costas
Provaremos a rica negrura
Por onde devem boiar postas

De carne-seca suculenta
Gordos paios, nédio toucinho
(Nunca orelhas de bacorinho
Que a tornam em excesso opulenta!)

E — atenção! — segredo modesto
Mas meu, no tocante à feijoada:
Uma língua fresca pelada
Posta a cozer com todo o resto.

Feito o quê, retire-se o caroço
Bastante, que bem amassado
Junta-se ao belo refogado
De modo a ter-se um molho grosso

Que vai de volta ao caldeirão
No qual o poeta, em bom agouro
Deve esparzir folhas de louro
Com um gesto clássico e pagão.

Inútil dizer que, entrementes
Em chama à parte desta liça
Devem fritar, todas contentes
Lindas rodelas de lingüiça

Enquanto ao lado, em fogo brando
Dismilingüindo-se de gozo
Deve também se estar fritando
O torresminho delicioso

Em cuja gordura, de resto
(Melhor gordura nunca houve!)
Deve depois frigir a couve
Picada, em fogo alegre e presto.

Uma farofa? — tem seus dias...
Porém que seja na manteiga!
A laranja gelada, em fatias
(Seleta ou da Bahia) — e chega

Só na última cozedura
Para levar à mesa, deixa-se
Cair um pouco da gordura
Da lingüiça na iguaria — e mexa-se.

Que prazer mais um corpo pede
Após comido um tal feijão?
— Evidentemente uma rede
E um gato para passar a mão...

Dever cumprido. Nunca é vã
A palavra de um poeta...— jamais!
Abraça-a, em Brillat-Savarin
O seu Vinicius de Moraes




Texto extraído do livro "Para viver um grande amor", Livraria José Olympio Editora - Rio de Janeiro, 1984, pág. 97.

Conheça a vida e a obra do autor em "
Biografias".

Disponível em:

2º Aula:

1° Atividade:

Coloque os alunos em círculo, no centro da sala e introduza a leitura do poema de Vinícius de Moraes, “Feijoada à minha moda”.
Dinâmica:
Escrever cada verso do poema em tiras de papel que serão distribuídas aos alunos de forma aleatória; um aluno começa a leitura do que está em sua “tirinha” e os demais precisarão completar o poema de forma coerente. Essas tirinhas, podem ser fixadas na lousa após cada leitura, para que todos tenham a oportunidade de analisar o contexto e proceder as alterações durante o processo. Ao final, o professor distribui ou projeta o poema correto aos alunos que farão uma análise dos erros e dos acertos ou possibilidades ).
 Com a leitura é possível enumerar as  contribuições dos diferentes povos na formação de nossos costumes e mesmo da nossa alimentação, como exemplo o povo africano no caso da feijoada.
 Realizar uma breve pesquisa, um questionamento simples enumerando os gostos de cada aluno da sala pelo seus pratos preferidos, analisando se a feijoada faz parte do gosto dos alunos presentes.

Para complementar e de maneira a sugerir comparações:

2° Atividade:

Realizar a leitura de outro texto, desta vez, os alunos que até então estavam em círculo, podem formar grupos, de até 4 alunos,  para uma leitura compartilhada e discussão de opiniões dentro de cada grupo.
§  Leitura do Texto 23 – O Prato dos Sábados. Página 61- (Coleção Cadernos da EJA – Caderno Diversidades e Trabalho). 
O texto  exemplifica outra  receita de feijoada completa, momento ideal para comparar a feijoada de Vinícius e a do texto da EJA.
Dinâmica:
Para cada grupo, fornecer as questões abaixo, onde cada grupo formulará suas opiniões.
Eleger um orador para a explanação das opiniões, de cada grupo.

Questões:
§  Qual receita é a mais calórica? E qual o motivo?
§  Questione com os alunos o que vem a ser calorias? Como ela é medida?
§  Por que nas duas receitas utiliza-se a laranja?

O Prato dos Sábados

A leitura permite concluir que na culinária utiliza-se de muitos ingredientes, alguns saudáveis outros nem tanto, devendo ter o cuidado com os excessos e o modo de preparo.

3° Atividade - Focalizando  quimicamente a leitura:

Podemos analisar o quanto de Kcal, cada porção de feijoada possui, podendo ainda comparar  as diferenças calóricas entre as feijoadas, objeto das leituras anteriores.
Na atividade, aproveitar a formação dos grupos já existentes.
Como cada grupo dispõe de informações a cerca dos motivos que uma receita é mais calórica do que outra, pode-se:
Utilizando de tabelas calóricas, os alunos podem verificar as calorias extras, em decorrência dos ingredientes diferentes de uma receita para outra.
Informação:
Uma pessoa adulta necessita em média de 2500 Kcal, com algumas variações para homens e mulheres (dependendo das atividade físicas de cada um). 
Questões para o grupo:
§  Para uma porção de feijão quantas Kcal estão sendo fornecidas para o organismo?
§  Que ingredientes podemos cortar, para tornar uma feijoada  menos calórica?
§  Durante o preparo como o cozinheiro deve proceder para diminuir as calorias da receita? 

O orador do grupo deverá expor as informações obtidas durante a tarefa, podendo ainda entregar ao professor um relatório, com os resultados da tarefa.

Exemplo de tabela calórica que pode ser usada como referência de consulta: 
Tabela Calórica
Com base na exposição de cada grupo, o professor pode:
Levantar o questionamento dos prováveis motivos dos escravos consumirem tanto feijão e sua relação com o trabalho pesado.
Os escravos tinham um gasto energético bem alto, diferente da nossa realidade atual cercada por controles remotos, elevadores, escadas rolantes, vidros elétricos e etc.
Dentre um dos muitos acompanhamentos da feijoada, devemos também focalizar, a utilização da farinha de mandioca e sua importância para as culturas indígenas, não deixando de mencionar  seu alto valor energético. 

 

4° Atividade:

Formar grupos (4 alunos em cada grupo).
Questões para discussão e redação das opiniões do grupo.
1.    Qual o motivo da laranja ser empregada como acompanhamento nas feijoadas?
2.    Qual a explicação química para o fato?
3.    Qual o destino dos óleos de frituras? (Os educandos devem responder exemplificando o que acontece em casa).
4.    Indicação pelos alunos, de possíveis soluções viáveis para a problemática.

 

Observação:

Chamar a atenção para os acompanhamentos da Feijoada:
Couve é rica em antioxidantes, anticancerígenos contém Betacaroteno (Vitamina A) melhora o sistema imunológico.   
Motivos da utilização da Laranja. (Explicação). 
Propriedades Químicas da Laranja:
§  Contém Vitamina C.
§  Combate radicais livres.
§  A laranja contém potássio, elemento químico importante nas contrações musculares, ajudando na eliminação do sódio pela urina.
§  Existem vários motivos químicos que levam a  utilização da fruta juntamente com a feijoada.
§  A acidez da laranja ajuda na digestão diminuindo o pH do estômago, facilitando o processo.
§  O feijão possui íons ferro (Fe+3) quelato insolúvel, sendo o causador daquela sensação de mal estar logo depois da ingestão da feijoada.
§  A fruta também apresenta ácido cítrico e ácido ascórbico que potencializam a absorção destes íons pelo organismo, dando a sensação de bem estar.
 Estes são alguns dos argumentos favoráveis para a utilização da laranja com a feijoada.   

 

5° Atividade:

Não deixar de mencionar a questão ambiental. Os resíduos provenientes das cozinhas, principalmente o óleo de frituras.

Um dos principais aspectos levantados nesta aula é a questão das calorias dos alimentos e indiscutivelmente as frituras são as vilãs neste aspecto.
Mas paralelamente outro quesito também gera preocupações, os resíduos desta prática, os óleos de frituras já utilizados. Ricos em substâncias tóxicas e considerado um grande poluidor ambiental.
O descarte correto do óleo de fritura contribui de maneira significativa para a preservação dos recursos hídricos, pois, existe aqui a relação do conceito químico densidade (água e óleo não se misturam) o que agrava seu efeito poluidor.
Culminando com os momentos finais da aula, é de extrema relevância tentar enumerar sugestões, mencionar as dificuldades, e descobrir erros, acertos com relação ao descarte dos resíduos das frituras. 

Observação:
Durante a explanação o professor pode utilizar de imagens, que podem ser salvas em um pendrive, CD ou DVD, para serem visualizadas em um monitor ou projetor, para melhor exemplificação das informações.

Descrição da Atividade para os alunos:
Iniciar a atividade com a apresentação do vídeo - Reciclagem óleo de cozinha.

Com a finalização do vídeo os alunos devem realizar a seguinte atividade:
·         Distribuir folhas para os integrantes dos grupos que já estão formados.
·         Cada integrante deve citar como é realizado o descarte do óleo usado em suas casas. Onde ele é descartado?
·         O grupo deve enumerar as prováveis dificuldades que tornam o aproveitamento adequado do óleo de fritura, uma prática pouco adotada pelas pessoas em geral.
·         O grupo deverá mencionar possíveis soluções para um encaminhamento mais adequado dos resíduo, enumerando as ideias do grupo.
·         O líder do grupo fica encarregado de transmitir as ideias e sugestões dos membros de cada grupo. O professor pode pedir para que o orador não seja o mesmo das atividades anteriores, tornando a atividade mais dinâmica e participativa.
·         Após a apresentação dos grupos realizar a atividade prática, onde ficará demonstrado  as propriedades específicas que a água e o óleo apresentam.

 

Atividade Prática:    (Elaborar relatório ao final da atividade)

Título: Óleo e água. 
A descrição detalhada da atividade prática está inserida no Caderno do professor/ Diversidades e Trabalho – página 90.

Atividade Prática Complementar: (Sugestão)

Recursos Educacionais
Nome
Tipo
Medidor de densidade
Experimento prático
Recursos Complementares

Tabelas Calóricas.
Disponível em:http://semprevidalight.blogspot.com/2009/02/vida-light.html  Acesso em: 10/03/2011

Vídeos:
Reciclagem óleo de cozinha, explicações de como fazer sabão caseiro. Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=H3oRKfiEr8k  Acesso em: 10/03/2011

Conteúdos Diversos:
Blog: Ensino de Química
Avaliação
Será baseada no envolvimento e na realização das atividades propostas para os alunos.
Os alunos devem elaborar um relatório contendo a descrição, desenvolvimento e aspectos químicos estudados e observados na realização da atividade prática - Óleo e Água. Para facilitar o andamento da atividade o professor pode fornecer um esquema previamente elaborado.
Os alunos devem ainda propor outros experimentos para avaliar a densidade de produtos que são utilizados em seu cotidiano. Como sugestão, realizar a brincadeira do afunda ou não afunda, aproveitando os  materiais escolares como lápis, canetas, giz entre outros.
No desenvolvimento da atividade o professor pode verificar se o aluno está apropriando-se da linguagem e dos conteúdos químicos envolvidos.
Aprender a calcular a densidade de objetos de formato irregular, utilizando uma proveta graduada, uma balança e  calculadora, ótima oportunidade para estabelecer a fixação e revisão de conceitos já estudados, como o cálculo da densidade.
A avaliação pode residir no desempenho dos alunos em calcular as diferentes densidades dos objetos disponíveis no momento da aula prática, usando como referência a densidade da água pura 1g/cm3.
Uma outra possibilidade de verificação da aprendizagem é pedir para que o aluno analise um  rótulo qualquer e consultando a tabela calórica, ele seja capaz de identificar as quantidades de Kcal que cada porção da substância fornece. Atividade envolvendo cálculos de regra de três simples.

 

Referências:

BRASIL. Coleção cadernos EJA. Brasília: MEC, SECAD, 2007.
SARDELLA, Antonio; Curso Completo de Química. São Paulo: Editora Ática, 2º Edição 1999.
Quem é que não gosta de uma feijoada? Disponível em: http://www.copacabanarunners.net/feijoada.html. Acesso em: 10/10/2010.
MOURA, Neila Camargo de; CANNIATTI-BRAZACA, Solange Guidolin. Avaliação da Dispobilidade de Ferro de Feijão Comum (Phaseolus vulgaris L.) em Comparação com Carne Bovina. Ciênc. Tecnol. Aliment., Campinas, 26(2): 270-276, abr.-jun. 2006. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/cta/v26n2/30172.pdf. Acesso em 02/11/2010.

Outro Link para aula:


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